Programas

Programa 2025/2026

O Mosteiro Zen Morro da Vargem realizou o Programa de Residências Artísticas 2025-2026 como um espaço de investigação, criação e partilha, acreditando na potência da arte e da cultura como forças capazes de imaginar e abrir caminhos para outras formas de enfrentar os desafios e urgências do nosso tempo.

Entre agosto de 2025 e março de 2026, o programa acolheu sete residências artísticas, sendo seis individuais e uma coletiva, reunindo dez artistas em um contexto de imersão na Mata Atlântica e na vivência de um mosteiro zen budista, em Ibiraçu, Espírito Santo.

O programa foi realizado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba, do Governo do Estado do Espírito Santo por meio da Secretaria de Estado da Cultura, com patrocínio da EDP, e contou com coordenação geral e curadoria de Clara Sampaio, além de curadoria compartilhada de Fernando Augusto em parte do programa.

O fio condutor do programa foi a expressão “Sonhar Floresta”, que compreende a floresta como existência viva e como símbolo. Sonhar a floresta é lembrar de acolhimento e origem, dos saberes ancestrais, da cooperação, da diversidade, da sustentabilidade, da generosidade e da vida em comunidade.

A floresta inspira a rever nossos modos de pensar, sentir e fazer, mas, sobretudo, de existir. Ela evoca equilíbrio, regeneração, cura, vitalidade e mutação, convidando à imaginação de outras formas de habitar o mundo diante das urgências contemporâneas. Talvez seja ela a grande mestra para a qual devemos nos voltar neste momento, para então imaginar os presentes e futuros que somos capazes de criar.

Inserido em um espaço monástico, o programa propôs a desaceleração do tempo, o exercício da atenção e do recolhimento como condições para a prática artística, favorecendo processos de pesquisa autorais, sensíveis ao território, ao ambiente e às relações humanas.

Todas as residências tiveram duração entre 15 e 20 dias, respeitando o ritmo do espaço, da vivência no mosteiro e dos processos de criação artística. 

O programa teve início com a Residência #1, realizada por Luciano Feijão (ES), entre 9 e 31 de agosto de 2025, seguida pela Residência #2, com Kika Carvalho (ES), no período de 5 a 25 de setembro de 2025. A Residência #3 foi desenvolvida por Karola Braga (SP), entre 17 e 25 de novembro de 2025.

Em dezembro, ocorreu a Residência #4 – Residência Coletiva, realizada de 3 a 14 de dezembro de 2025, reunindo quatro artistas selecionados por convocatória nacional: Ambuá (MG), Ana Luzes (ES), Rick Rodrigues (ES) e Lucas Cardoso (AL). No início de 2026, o programa seguiu com a Residência #5, conduzida por Sheyla Ayo (SP), entre 5 e 25 de janeiro de 2026 e com a Residência #6, realizada por Victor Gonçalves (Portugal/SP), no período de 28 de janeiro a 12 de fevereiro de 2026. Encerrando o ciclo “Sonhar Floresta”, a Residência #7 foi realizada por Polliana Dalla (ES), entre 9 e 23 de março de 2026.

Para as residências individuais, os artistas foram convidados diretamente pela curadoria. Já a residência coletiva foi definida por meio de edital público, que recebeu cerca de 150 inscrições, provenientes de 16 estados e mais de 50 cidades de todo o Brasil, resultando na seleção de quatro artistas para a imersão coletiva.

Compartilhar a experiência da residência artística com um público ampliado é um dos sentidos fundamentais do programa. Ao longo do período, os artistas realizaram 14 atividades abertas ao público, majoritariamente aos domingos, na Estação Cultural do Mosteiro, incluindo conversas públicas sobre os processos criativos, apresentações dos trabalhos desenvolvidos durante as residências e momentos de encontro com visitantes espontâneos e comunidades do entorno. 

Foram realizadas também atividades externas na cidade de Vitória, de modo a ampliar o alcance do programa e promover encontros plurais sobre pesquisa artística e curatorial, com ações realizadas na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e na OÁ Galeria. Além disso, ocorreram atividades de acolhimento no Auditório do Mosteiro, realizadas com grupos de idosos da comunidade local. Essas ações incluíram experiências como estratégias de desenho e exibição de filmes, propondo momentos de escuta, convivência e troca a partir dos processos artísticos desenvolvidos durante as residências.

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